Sem falar mais nada, ela caminhou pela
rua.
Dando as costas para aquele passado, ela andou. Andou adiante,
concentrando-se em seus passos de formiga, concentrando-se no que
seria dali para frente. Ela andou e andou mais. Era um acordo tácito.
Ela caminharia na direção oposta de seu passado até ali e ele a
deixaria ir. Cabeça baixa no começo, mirando o horizonte depois...
ela foi! E veio uma esquina, uma parada, olhar para os lados,
continuar. E veio a calçada irregular, a rua de calçamento, e veio
a grama e a terra, e depois mais rua, mais calçada e tudo o mais. E
era tudo sempre igual, e isso não a deprimia, e ela apenas
continuou.
Até hoje anda, para quando é preciso,
acelera ou diminui o passo de quando em quando. Mas não importa o
quanto ande, seu passado sempre está lá à espreita. Não importa o
quanto se distancie, ele a observa à mesma distancia de sempre. A
vivente já se acostumou a isso e, quando sente vontade, ela encontra
os olhos penetrantes daquele passado não tão distante e ele
consente que ela siga um pouco mais.