sexta-feira, 14 de março de 2014

Avante!


Sem falar mais nada, ela caminhou pela rua. Dando as costas para aquele passado, ela andou. Andou adiante, concentrando-se em seus passos de formiga, concentrando-se no que seria dali para frente. Ela andou e andou mais. Era um acordo tácito. Ela caminharia na direção oposta de seu passado até ali e ele a deixaria ir. Cabeça baixa no começo, mirando o horizonte depois... ela foi! E veio uma esquina, uma parada, olhar para os lados, continuar. E veio a calçada irregular, a rua de calçamento, e veio a grama e a terra, e depois mais rua, mais calçada e tudo o mais. E era tudo sempre igual, e isso não a deprimia, e ela apenas continuou.
Até hoje anda, para quando é preciso, acelera ou diminui o passo de quando em quando. Mas não importa o quanto ande, seu passado sempre está lá à espreita. Não importa o quanto se distancie, ele a observa à mesma distancia de sempre. A vivente já se acostumou a isso e, quando sente vontade, ela encontra os olhos penetrantes daquele passado não tão distante e ele consente que ela siga um pouco mais.